Primeira vez que venho aqui falar de um perfume, e preciso dizer que isso me deixa muito nervosa, e explico o por que: eu tenho um sincero fascínio por perfumaria, por aromas, suas combinações, sua harmonia, seu andamento e desabrochar.
É muito difícil, acredito que pra todos, falar sobre algo que se gosta muito, então peço perdão pelos meus possíveis erros.Mas vamos ao motivo do post:
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| Kate Moss na campanha de lançamento, em 2009 |
Parisienne. O nome não poderia ser mais explicito, apenas, talvez com o nome do seu irmão mai velho Paris, da mesma marca.
Suas notas oficiais, segundo o Fragrantica são: Cramberry, Blackberry e Vinil no topo, Violeta, Peônia e Rosa de Damasco no coração e Vetiver, Musk, Sândalo e Patchuli na base.
O perfume se propõe a ser moderno, marcante e acima de tudo sexy (quase escrevi "sensual", mas existem sutis diferenças entre ambos os atributos, e é importante deixar claro qual é o que pertence a este perfume).Logo na entrada do perfume, ele é bem doce, pelas berries, mas além do azedume da escola francesa, sente-se também algo diferente e sintético, algo como cheiro de maquiagem cara, o que deixa o doce diferente. Não é como um perfume teen ou um Fantasy da vida, ele é mais.. elegante, ele é mais distante. É como o calor do sol em um dia frio.
E ai entram os florais. Não tem o que falar, a combinação Violeta-Peônia-Rosa é perfeita. Dançam muito bem juntas, mas acho que a Rosa rouba a cena muito bem, a Violeta dá o suporte powdery que dá o ar "Moulin Rouge" e a Peônia dá a harmonia perfeita entre o romantismo das Rosas e o carregamento da Violeta. Vemos um floral maduro e bem acabado.
Por fim, a base do perfume é fantástica. O cheiro é quente e preguiçoso, é carregado e lento. E o azedume que eu particularmente amo se acentua ainda mais na base, talvez graças ao Vetiver, e um amadeirado bem gostoso toma conta. Amadeirado e azedo. E ao mesmo tempo, ainda doce e powdery, como que um breve resgate dos movimentos anteriores pra encerrar a sinfonia.
Conclusão: Um perfume maduro, porém romântico, sexy, charmoso, rico, gostoso, moderno e quente. Mais indicado pra noite (ao menos no clima Brasileiro), e muito, mas muito sedutor. Bem equilibrado nas passagens e coeso de forma geral sem nenhuma grande mudança brusca de segmento olfativo, um doce amadeirado quente que consegue se destacar no meio de tantos adocicados genéricos do dia-a-dia, e não só ser original, como também moderno. Ele caminha entre o doce sem ser obvio, e o elegante sem ser pesado como costumam ser os perfumes franceses que evocam esta qualidade. Ele encontra o ponto perfeito e fica lá, equilibrado no meio de dois dos maiores clichês da perfumaria. Pode parecer um perfume fácil de usar, mas não é do tipo que agrada todo mundo (em grande parte por conta do vinil), por isso indico que, se for comprar experimente e conheça antes. É um perfume de durabilidade boa, e próximo à pele, o que acho que dá mais charme ainda a esta peça.
Opinião: Sinto o cheiro se espreguiçar pelo corpo e se arrastar, como ver o sol nascer deitado na cama. Como citei antes, ele também me lembra algo meio Moulin Rouge, mas uma versão bem moderna deste. Algo como olhares, jeito de corpo e convites trocados em segredo. Me faz pensar também no romantismo, no entardecer, e me faz imaginar uma Paris de possibilidades ao cair da noite. É um perfume de pouca luz, e sempre me faz pensar, se não em noite, em por ou nascer do sol, o que é algo muito interessante, pois em perfumes desse tipo tanto a publicidade quanto o design da embalagem carregam significados e até na cor há referência ao entardecer.
Li em algum lugar (não lembro mais onde, infelizmente, faz tempo) que o frasco de Parisienne foi feito para parecer com o emaranhado das ruas do centro de Paris, e a cor do frasco/perfume, além de passar romantismo faz uma referência à cor do céu da Cidade Luz ao por do sol. Se for verdade, achei essa carga de significados muito bonita, pois transforma o perfume mais ainda a um tributo à essa cidade, e principalmente às suas mulheres, ou ao menos à idealização destas.
Mas acima de tudo, acredito que Parisienne seja um perfume feito para aquelas mulheres de verdade que, mesmo não estando em Paris, tem a capacidade de tornar qualquer cidade tão interessante, charmosa e bela quanto a Cidade Luz.
Receio soar repetitiva, mas me arriscarei ainda assim, para deixar bem claro que - pra essas - não é Paris que te transforma em parisiense; é você, já parisiense, que pode transformar toda cidade em Paris.
- A cara da campanha de 2009 (ano de lançamento) foi a modelo Kate Moss, e a de 2011 foi a também modelo Marine Vacht. Tenho que dizer que prefiro a da Moss, pois pra mim passa mais a ideia da mulher que formei durante esse post. O apelo sexy da campanha com a Vacht é mais obvio, e acho que perde algo no quesito elegância.
- Os narizes do perfume são Sophia Grojsman (Paris, Tresor) e Sophie Labbe (Jasmin Noir).
| Marine Vacht, campanha de 2011 |
Enfim, é um dos meus preferidos e já cogito até - quem sabe um dia - adotar como assinatura olfativa.

